Cult Empreeendimentos

Home/ Espetáculos/ Sua Excelência, O Candidato

De Agosto de 2006 a Dezembro de 2007

Sua Excelência, O Candidato

Galeria de Fotos

Sua Excelência, O Candidato Sua Excelência, O Candidato Sua Excelência, O Candidato

Outras peças

Operação Abafa

Amigas, pero no mucho!

O Zoológico de Vidro

Direção

Alexandre Reinecke

Autor

Jandira Martini e Marcos Caruso

Elenco

Reynaldo Gianecchini, Norival Rizzo, Wilson de Santos, Paulo Coronato, Roseli Silva, Lara Córdola e Massayuki Yamamoto.

Gênero

Comédia Dramática

Classificação

12 anos

Temporada

De Agosto de 2006 a Dezembro de 2007

Sinopse

Uma alegre intimidade com o palco.

Este texto foi o primeiro trabalho conjunto de uma dupla de tarimbados profissionais de teatro, Jandira Martini e Marcos Caruso.

A estrutura bem-amarrada desse vaudeville hilariante é a mais segura prova de que foi escrito por quem entende do riscado. Não há um efeito perdido, uma sugestão desperdiçada. Antes de constituir um vaudeville, aliás, Sua Excelência, o Candidato filia-se à comédia de enganos latina, na linha de qüiproquós levada à perfeição por Plauto. Os autores não recuam sequer diante do mais inverossímil efeito deus ex machina para o final; o domínio declarado da farsa a tudo admite e torna lícito.

A peça exibe uma, alegre intimidade com a tradição teatral. E construída segundo as unidades aristotélicas clássicas de tempo, lugar e ação. As personagens, mesmo desenhadas com visível cuidado, têm mais a função de máscaras que de personalidades. De acordo com a estrita tradição da farsa, chega-se ao humor através de uma situação, sobre a qual se concentram em regime de saturação, equívocos sem conta. O mal-entendido inicial funciona como a bola de neve morro abaixo. E resolve-se praticamente ao cair do pano. Quando tudo parecia perdido, sobrevém uma inacreditável cadeia de reconhecimentos, e com essa peraltice é coroada uma obra ágil, sinuosa, surpreendente.

Sua Excelência, o Candidato reúne dois méritos que a maior parte das comédias brasileiras contemporâneas não parece levar em consideração. Antes de mais nada, respeita a inteligência do público, não o equiparando a auditórios imbecilizados de palavrões e vulgaridades. Simultaneamente, demonstra a preocupação de eleger como tema uma questão premente, que, em 2006, como em 1986, estará no centro de todas as discussões brasileiras: as eleições dos cargos majoritários da nação depois dos eventos escandalosos que envolveram o atual governo, eleitos que foram sob a égide da ética, da retidão para com o bem público, contra a corrupção e a mal versação do dinheiro público.

Sua Excelência abre fogo grosso, e seu alvo é o jogo político, nosso velho conhecido, que nos trapaceia com cartas marcadas, cujo macabro exercício de incompetência ainda não se conseguiu exorcizar.

A farândola de enganas armada por Jandira Martini e Marcos Caruso concentra-se sobre a seleção de um candidato a candidato, cuja amante é esposa do chefe político de que depende sua escolha. Junte-se a isso uma mãe solteira, que dez anos depois de conceber vem reclamar seus direitos do pai da criança, o possível candidato. Para culminar, acrescente-se um puxa- saco, um mordomo-travesti e um japonês líder sindical de Cotia.

Felizmente, reina sobre a coisa toda o espírito da comédia, de modo que o espectador tem a possibilidade de enfocar o assunto sórdido da melhor das maneiras: através do riso.

É fácil imaginar o que se passará no palco do Teatro Vivo, onde Sua Excelência, O Candidato se instalará para uma carreira certamente longa.